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Redução de jornada: quando a conta cai no colo de quem trabalha.

  • 16 de abr.
  • 2 min de leitura

A defesa da redução da jornada de trabalho é apresentada como uma conquista para o trabalhador. Menos horas, mais qualidade de vida, mais equilíbrio. No discurso, parece bom. Mas, na prática, num país com baixa produtividade, alto custo do emprego e indústria pressionada, essa conta não desaparece. Ela apenas muda de endereço. E quase sempre cai, no fim, no colo de quem trabalha.


Quando se reduz a jornada sem reduzir o custo da contratação e sem aumentar a produtividade, o trabalho fica mais caro. Para muitas empresas, especialmente na indústria, isso significa produzir com custo maior e competir em desvantagem, tanto no mercado interno quanto frente aos produtos importados.


O primeiro efeito não é invisível: menos disposição para contratar. Em vez de mais oportunidades, o que tende a surgir é mais cautela e menos vagas. Quem está fora do mercado encontra ainda mais dificuldade para entrar. Quem está dentro passa a conviver com um ambiente de maior insegurança.


O segundo efeito vem na concorrência. Se a produção nacional fica mais cara, o importado ganha espaço. E quando o importado avança, a indústria local perde mercado, reduz investimento, freia crescimento e enfraquece sua capacidade de sustentar empregos de qualidade. Defender uma medida que fragiliza quem produz aqui é, no longo prazo, enfraquecer o próprio trabalhador brasileiro.


O terceiro impacto é no bolso. Empresa com custo maior tenta repassar parte disso aos preços. E quando os preços sobem, o salário compra menos. Ou seja: o trabalhador pode até ouvir que ganhou em jornada, mas perde em poder de compra. Paga mais caro no supermercado, no vestuário, nos serviços e em tudo aquilo que depende de uma economia saudável para manter preços sob controle.


No fim, vende-se a ideia de benefício imediato, mas entrega-se um cenário de menos emprego, mais importados e perda real de renda. Isso não é proteção ao trabalhador. É ilusão social com consequência econômica.



 
 
 

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