Redução de jornada: ignorância ou perversidade social?
- há 21 horas
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Defender a redução da jornada de trabalho no Brasil, sem enfrentar antes o problema da produtividade, do custo do emprego e da baixa competitividade, é algo que só pode ser explicado de duas formas: ignorância ou perversidade.
Ignorância de quem não entende minimamente como funciona a economia real, como opera uma empresa, como se fecha uma folha de pagamento e como se sustenta um emprego no fim do mês.
Ou perversidade de quem entende, sim, mas mesmo assim prefere estimular um discurso fácil, popular e irresponsável, apenas para colher aplauso imediato, ainda que isso custe investimento, empregos e crescimento lá na frente.
O Brasil não é um país com excesso de competitividade.
Não é um país com sobra de produtividade.
Não é um país onde contratar é barato, simples e seguro.
Ao contrário.
Aqui, quem emprega já carrega uma estrutura pesada de encargos, obrigações, insegurança jurídica, rigidez nas relações de trabalho e um ambiente de negócios sufocante. O custo do emprego no Brasil já é alto demais. A produtividade média segue baixa. A concorrência internacional é brutal. E, mesmo assim, ainda há quem proponha encarecer mais o trabalho como se isso fosse solução social.
Não é.
É ilusão.
Reduzir jornada sem aumentar produtividade não cria milagre.
Cria custo.
E alguém sempre paga essa conta.
Paga a empresa, com margem menor e menos capacidade de investir.
Paga o trabalhador, com menos oportunidades de contratação.
Paga o consumidor, com preços mais altos.
E paga o país, com menos competitividade, menos indústria, menos produção e mais dependência externa.
É preciso dizer com clareza: não existe ganho social sustentável construído em cima da destruição econômica de quem produz.
A narrativa pode ser bonita.
O discurso pode render manchete.
A proposta pode até parecer “humana”.
Mas não há nada de humano em defender medidas que enfraquecem empresas, desestimulam investimentos e colocam em risco justamente os empregos que dizem proteger.
O Brasil não precisa de jornada menor por decreto.
Precisa de custo menor para empregar.
Precisa de menos encargos.
Precisa de mais liberdade para negociar.
Precisa de modernização das relações de trabalho.
Precisa de produtividade, eficiência e competitividade.
País sério não discute apenas quanto se trabalha.
Discute quanto se produz.
Discute quanto custa empregar.
Discute como gerar mais riqueza, mais investimento e mais oportunidade.
Todo o resto é demagogia.
Insistir nessa pauta, diante da realidade brasileira, não é sensibilidade social.
É irresponsabilidade econômica.
E insistir nisso sabendo que a conta não fecha é pior:
é empurrar para empresas, trabalhadores e para toda a sociedade o preço de uma fantasia que o Brasil não tem como pagar.




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